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Ímpar | PÚBLICO

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Conta-se rapidamente uma das histórias do Ímpar mais lidas esta semana: um menino que confunde um homem com um sem-abrigo e oferece-lhe um dólar. Afinal, o homem era um milionário e decide recompensar a criança porque se existirem mais miúdos como este há esperança na humanidade, está convencido. “Olha que bonito”, pensei na sexta-feira, dia em que publicámos este artigo e eu não estava a trabalhar, por isso, não tomei qualquer decisão sobre a sua publicação.

Depois, fui ler os comentários à notícia e, ao contrário do milionário (e de mim), os leitores são uns descrentes na humanidade. Os comentários vão do cinismo de este é um bom argumento para um filme de domingo à tarde, até à crítica de que é uma “história patética”, passando pela condenação do milionário: então, não era de pagar os estudos ao miúdo, em vez de lhe dar uma bicicleta?

Outra história que envolve uma criança e um adulto, neste caso, o rei Carlos III, e que teve também imensa leitura nesta semana, é a de Tony, um menino de 9 anos, que foi um dos oito mil convidados para a primeira festa no jardim do Palácio de Buckingham, na quarta-feira, mas que o trânsito impediu que chegasse a tempo. Tony é uma criança que foi vítimas de maus tratos em bebé e cujas pernas foram amputadas. Sabendo do sucedido, Buckingham voltará a convidá-lo noutra oportunidade. Mais uma história feliz.

Mas não é só de histórias felizes que se faz o bom desempenho desta semana, Há uma história de alegada violência doméstica que dominou os últimos dias. Violência contra uma mulher, violência contra uma idosa. Uma história igual a tantas outras mas que atinge os píncaros porque se trata de uma figura mediática — não porque seja alguém de valor (não descobriu uma vacina, não foi o primeiro português a pisar um palco estrangeiro, não ganhou qualquer prémio, não luta por causas nobres, nada) —, mas porque vive de promover a sua excentricidade e é isso que, aparentemente, o público — mesmo o público do PÚBLICO — gosta.

Falo, claro, de José Castelo Branco, que num processo realmente célere (e sobre isso devíamos reflectir: são tratados da mesma maneira todos os casos de violência doméstica? São detidos todos os alegados agressores e apresentados no dia seguinte ao tribunal? É sempre assim tudo tão rápido e eficaz?) foi detido e viu o tribunal decidir as medidas de coacção para o seu caso. Bárbara Reis reflecte sobre como os meios de comunicação social alimentam e se alimentam deste caso — é a ditadura das audiências (é o capitalismo, acrescento eu); Carmo Afonso condena a importância que é dada à figura, não resistindo à tentação de escrever sobre a mesma.

Caímos em exageros, lamenta Inês Meneses, não falando sequer sobre este caso, mas sobre uma sociedade de excessos, que nos deixa nauseados. “Faltam-me alegrias pequenas, coisas de nada, que a comunicação social está longe de querer fazer germinar. Tudo o que é de pequena dimensão está, hoje em dia, condenado: os escritores de pequena dimensão, os semi notáveis, os atores quase famosos, os pensadores respeitados mas pouco conhecidos. Estamos na época do exagero, que não aceita sequer um desabafo honesto como estar em baixo de forma. Isso não vende, não é apelativo.”

A solução, acredita a colunista e radialista, poderá ser voltar para o campo. Já Liliana Carona fala-nos da distância a que, quem vive no interior, está do litoral, numa crónica cujo título é “Quando é que viste o mar pela primeira vez?” e sublinha a desigualdade que subsiste entre o litoral e o interior, como quem vem de longe tem tanto mais para andar. “Quem está longe dos grandes centros, sabe que a luta por um lugar ao sol, seja estendido na praia marítima ou abraçando uma proeminente carreira profissional, está dependente de um esforço redobrado e será hipocrisia negar essa evidência.”

Quem vem de longe e chega a Lisboa daqui a 11 dias é Taylor Swift, que trouxe todo um novo guarda-roupa para a sua digressão europeia. A jornalista Inês Duarte de Freitas revela todos os figurinos. A semana começou com o Met Gala, se não sabe o que é, explicamos aqui. Trata-se da noite mais extravagante da moda e acompanhámos o desfile. Vimos os vestidos desenhados por tantos criadores, entre os quais se destacou John Galliano, defende a jornalista norte-americana Rachel Tashjian. O designer britânico desenhou o atrofiante vestido de Kim Kardashian, um verdadeiro inimigo — o vestido — de qualquer mulher. E, graças ao Met Gala confirmámos também o lado perigoso da Inteligência Artificial que posicionou, na escadaria do museu que serve de passerelle, celebridades que não estiveram lá, como Kate Perry, Selena Gomez ou Rihanna.

Conhecemos os trajes oficiais dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos, que vão acontecer em Paris, neste Verão. E o jornalista Miguel Dantas experimentou três pares de sapatilhas e fez a sua avaliação. Se é um atleta amador, valerá a pena comprar sapatilhas de alta competição? Saiba também que, à medida que envelhecemos, os nossos pés podem crescer.

E se o exercício é importante, a alimentação também, desde cedo. No início da semana, um estudo australiano revelou que os alimentos ultraprocessados e com excesso de açúcar ao pequeno-almoço têm péssimas consequências nos desempenhos académicos dos adolescentes. Mais: o excesso de alimentos ultratransformados estão associados à morte precoce e a problemas cerebrais, revela um outro estudo feito com 115 mil pessoas. Por isso, prefira alimentos inteiros, daqueles que se compram no mercado, que vêm da terra e que podem ser transformar em sopas, saladas ou pratos de tacho.

Ter qualidade de vida passa também pela sua saúde emocional. Por isso, termino com duas crónicas que nos fazem bem à alma. A primeira é da actriz e encenadora Ana Lázaro, sobre a anatomia do adeus, sobre despedidas, que nem sempre são fáceis ou que nem sempre acontecem, deixando o outro em suspenso. “Quando se parte sem dizer adeus, fica só um aterro de coisas por dizer, um amontoado de palavras, braços sem mãos, mãos sem braços, músculos e dedos desligados, polegares fora do sítio, pulsos soltos. Fica só um vazio sem fronteiras, onde sobra tudo. Onde o depois nunca vem.

A segunda, da jornalista do Folha de S. Paulo, que vive em Barcelona, Susana Bragato, que escreve sobre a importância de dar abraços de 20 segundos — experimente, acredite que não são fáceis, mas que fazem bem à saúde! “Vulgo o simples prazer de estar, o prazer e a calma, o simples gosto-gozo de se conectar, integrar, enfim…” Quem sabe, estes abraços podem ajudar-nos a reprimir os excessos, a sermos mais solidários, menos críticos, em suma, possam contribuir para acreditarmos na humanidade!

Boa semana!



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